O tempo passa e as pessoas esquecem-se…
Para muitos, a areia da ampulheta escoou cedo de mais e não foi o suficiente para memorizarem como foram os tempos de tão dolorosa adolescência. Os adultos são experts em maquilhar os traumas infantis e as dolorosas experiências da pré-adolescência. Quando atingida a fase adulta, o próximo passo de qualquer indivíduo é fomentar o que de mau criticavam e esquecer o que de bom defendiam. Falava-se frequentemente, na descrença da língua portuguesa, queixamo-nos que os nossos alunos não lêem e mal sabem falar. A descrença vai além leitura, além escrita, além língua portuguesa. A descrença está em nós e a língua não é mais do que uma desculpa. Aceitar a guerra do ensino é um acto de coragem, são demasiados campos de batalha para um só peão, as peças movem-se como num tabuleiro de xadrez, tudo tem a sua técnica e no fim só interessa quem sobreviveu à dita descrença. Os alunos são, para muitos, um pretexto de ordenado, para outros uma causa perdida, para poucos pedras em bruto. O 7º ano, tal como todos os outros, é um desafio. Os hábitos de leitura e de escrita vão-se instalando pouco a pouco e eles não se mostram tão relutantes quanto os próprios professores. Embora pouco usual, as aulas de língua portuguesa têm sido divertidas, brincamos com a língua, deixamo-nos enternecer aqui e ali, as palavras brincam connosco e os seus múltiplos significados fazem-nos rasteiras, escondessem atrás das silvas dos nossos conhecimentos e assustam-nos com determinadas grafias. Eles não resistem à língua Portuguesa, nós é que deixámos de resistir à pseudo língua portuguesa e fomos vencidos pelos vícios da oralidade.
